23 de janeiro de 2026, por Eric de Lima
Muito antes de falar em blocos de rua ou grandes desfiles, o carnaval em Jaraguá do Sul teve uma identidade própria. Durante décadas, a festa acontecia principalmente dentro dos salões, em clubes e sociedades que eram o ponto de encontro da cidade.
Beira-Rio, Juventus, Botafogo, Doering, Vitória e Baependi foram alguns dos espaços que viveram noites animadas de marchinhas, fantasias simples e muita convivência. Quem viveu essa época lembra de um carnaval diferente do atual, mais contido, mais organizado e profundamente ligado ao encontro entre pessoas.
Os bailes que faziam a cidade parar
Quem frequentava os bailes do Clube Baependi na década de 1950, hoje guarda boas lembranças de um carnaval simples e extremamente alegre. As fantasias não precisavam ser elaboradas. Um chapéu, um acessório diferente ou uma máscara já bastavam.
Naquela época, os bailes eram seguros, bem controlados e marcados por educação e respeito. As diretorias dos clubes cuidavam para que tudo acontecesse com tranquilidade, e qualquer desentendimento era resolvido rapidamente. Um detalhe curioso ajuda a ilustrar o clima da época: fubá era espalhado no salão para deixá-lo liso e escorregadio, facilitando a dança ao som de bandas populares e famosas, como a Cassino de Sevilha, que fez sua primeira turnê no Brasil nos anos 1950.
Era um carnaval menos exagerado e mais coletivo. Menos espetáculo e mais convivência.
Como o carnaval chegou a Jaraguá do Sul
De acordo com a historiadora Silvia Toassi Kita, o carnaval começou a ganhar forma em Jaraguá do Sul na década de 1930, impulsionado pelo médico baiano Álvaro da Costa Batalha, que atuou no município entre 1933 e 1949. Apaixonado pela festa, ele costumava ornamentar seu carro e desfilar pelas ruas da cidade.
Como era o carnaval em Jaraguá do Sul, em 1953, no Salão Doering (Foto: Sergio Luis Sohn)
Em 1938, Manoel Rosa, conhecido como mestre Manequinha, fundou a escola Estrela D’Alva, considerada a mais tradicional do município. Os bailes aconteciam em locais como a Sociedade de Atiradores, o Salão Buhr e, a partir daquele mesmo ano, também no Clube Aymoré.
Mesmo sem a dimensão das grandes capitais, o carnaval jaraguaense teve sua importância cultural e social, funcionando como um momento raro de celebração coletiva.
Por que o carnaval mudou na cidade
Com o passar dos anos, os costumes foram se transformando. Muitas pessoas passaram a usar o feriado para descansar ou viajar, especialmente para o litoral. A música mudou, os formatos de festa também, e os tradicionais bailes foram, aos poucos, se tornando menos frequentes.
Jaraguá do Sul seguiu outro caminho. Um carnaval mais discreto, mais íntimo, mais alinhado ao jeito da cidade.
Essa história ajuda a entender por que eventos menores, bem organizados e focados na experiência fazem tanto sentido por aqui. O jaraguaense nunca foi avesso ao carnaval. Ele apenas prefere vivê-lo de forma diferente.
É exatamente dessa leitura cultural que nasce o Carnastannis, um pré-carnaval que resgata o espírito dos antigos bailes — o encontro, a música, a alegria — adaptando tudo à realidade atual.
Carnastannis 2ª edição: o pré-carnaval do jeito que Jaraguá do Sul gosta
Graças ao sucesso absoluto da primeira edição que esgotou todos os ingressos e fez sold out, o evento retorna para sua 2ª edição este ano no dia 07 de fevereiro de 2026, a partir das 15h, na Cervejaria Stannis, em Jaraguá do Sul, mesmo local da primeira edição. Já que em time que está ganhando não se mexe, a fórmula segue a linha da primeira edição que agradou em cheio: um sábado pensado para quem quer celebrar o pré-carnaval com leveza, chope gelado, boa música e um ambiente confortável.
Assim como nos bailes de antigamente, a proposta não é exagero, mas convivência. Chegar cedo, encontrar amigos, dançar no próprio ritmo e aproveitar o tempo sem pressa.
A banda Carapeva é uma das atrações confirmadas
O Carnastannis conta com chope artesanal premiado, servido gelado, direto da fonte. Das 15h às 17h, o público aproveita 50% de desconto nas bicas de chope, um convite claro para começar o sábado mais cedo.
O Food Truck Stannis completa a experiência com hambúrgueres artesanais e porções pensadas para harmonizar com cerveja.
Na música, a energia fica por conta do DJ Rick e da Banda Carapeva, que trazem o clima do carnaval com marchinhas e animação na medida certa.
Vista-se para dançar
O abadá desta segunda edição será em tamanho único, perfeito para customizar
Nos carnavais de salão e de rua, o abadá sempre teve um papel que vai além da roupa. Ele funciona como símbolo de pertencimento, identificação e liberdade criativa. Mais do que um uniforme, o abadá representa o espírito coletivo da festa, criando uma sensação imediata de que todos ali fazem parte do mesmo momento, cada um do seu jeito.
No Carnastannis, o abadá segue essa lógica, mas sem rigidez. O modelo é simples, de tamanho único, pensado justamente para ser transformado. Cortar, customizar, ajustar, combinar com acessórios ou usar sem nenhuma modificação faz parte da experiência. Não existe certo ou errado. Existe a forma como cada pessoa escolhe viver o pré-carnaval.
Idéias para montar seu look não faltam
Ao oferecer a opção de ingresso com ou sem abadá, o evento respeita diferentes perfis. Quem gosta de entrar no clima visual do carnaval encontra no abadá um convite à brincadeira. Quem prefere algo mais discreto continua confortável. Assim como o próprio Carnastannis, o abadá não impõe regras, ele só abre espaço para a expressão e para o encontro. Mas atenção: os ingressos com direito a abadá são limitados, então é bom correr se quiser garantir o seu a tempo de fazer sua customização.
Um novo ritual para o feriado
Em uma cidade onde o carnaval sempre teve mais a ver com encontros do que com multidões, o Carnastannis surge como uma continuidade natural dessa história. Um evento que não tenta copiar outros carnavais, mas respeita o jeito local de celebrar.
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