A Bélgica, referência global em tradição cervejeira, voltou seus olhos para Santa Catarina. Na mais recente edição do Brussels Beer Challenge, duas cervejas produzidas no estado subiram ao pódio: a Red Sönja, que conquistou medalha de ouro pela terceira vez, e a Scarlett Flanders, premiada com medalha de prata, justamente no país onde o estilo nasceu e onde os jurados têm o paladar mais exigente do mundo para esse tipo de cerveja.
As duas cervejas são criadas pela Stannis, de Jaraguá do Sul, que há anos figura entre as representantes brasileiras mais premiadas internacionalmente.
O peso de vencer na Bélgica, o coração da tradição cervejeira
Mais do que um destino turístico para quem ama cerveja, a Belgica é o berço de estilos consagrados e técnicas que moldaram a história do líquido sagrado. Lá, tradições como a Lambic, Dubbel e Flanders Red Ale não são apenas bebidas, mas manifestações culturais. Por isso, vencer uma competição nesse território é enfrentar o júri mais exigente do mundo.
Especialistas do mundo todo analisaram cor, aroma e sabor das amostras enviadas.
Fundado em 2012, Brussels Beer Challenge é considerado um dos concursos mais rigorosos do planeta. Realizado anualmente em diferentes cidades da Bélgica, ele reúne alguns dos maiores especialistas globais: mestres-cervejeiros, sommeliers e críticos que avaliam minuciosamente cada aroma, sabor e textura, sempre às cegas. A técnica ali é levada a sério. Cada detalhe importa, e só os melhores passam pelo crivo.
A competição é uma disputa acirrada, que envolve centenas de cervejarias da Europa, das Américas e da Ásia. E em meio a gigantes históricos, pouquíssimas marcas de fora da Europa conseguem repetir o feito de ganhar medalhas consecutivas. Quem consegue, entra para um seleto grupo respeitado que prova, de forma incontestável, sua excelência ano após ano.
Três vezes melhor do mundo
A Red Sönja, Irish Red Ale produzida há anos em Jaraguá do Sul, consolidou um feito raro: ouro em 2022, ouro em 2024 e ouro novamente agora.
A obra que venceu três vezes o ouro parece ter encontrado a fórmula perfeita para dominar o estilo que representa. Isso não acontece por acaso: é resultado de um domínio absoluto sobre a construção sensorial, respeitando as raízes do estilo e entregando equilíbrio entre corpo, malte, cor e drinkability, tudo aquilo que uma Irish Red Ale deve ser.
O que impressiona é a consistência ao longo dos anos. Ano após ano, lote após lote, a mesma qualidade se mostra presente, como se cada garrafa contivesse uma equação resolvida com precisão. A estabilidade sensorial é prova viva de que a receita não depende de sorte, mas de rigor técnico.
Em um mundo onde o estilo nasceu e foi aperfeiçoado por séculos, competir com rótulos tradicionais europeus (e vencer) exige uma capacidade técnica rara. É necessário entender profundamente os estilos clássicos, dominar processos, ingredientes e maturação, e mesmo assim imprimir personalidade. Essa combinação é o que diferencia grandes cervejas das verdadeiramente lendárias.